sexta-feira, 4 de outubro de 2013

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Lendo meus e-mails me deparei com aquela resposta sutil que você me envio, em uma das várias noites longínquas de ti, que pairam nos meus dias.

Na carta, suas palavras expressavam sentimentos comuns aos meus, contudo de uma forma muito mais belas que só você conseguia.
Toda a extensão do texto que se seguia, narrava uma queda livre de palavras que acariciavam diretamente o meu coração.

Entre tanto, após o teu último suspiro que foi aquela resposta, seus toques se extinguiram dos meus dias, tão sutilmente quanto o mergulho do sol no horizonte dos nossos momentos, findados ao que já se foi. 

Diversas palavras trocadas, alguns carinhos, e muitos sentimentos lúdicos e até insanos, jogados a brisa do outono. Tanto a ser dito, muito a sentir, e tudo que jaz sentido...

Mudanças aconteceram, coisas que vão e vem com a certeza da manhã seguinte, que acabaram por alterar planos futuros. Diversos momentos jamais vividos.

Nossas histórias colocadas de lado para dar espaço a novas, e ainda assim, sempre que olho no meu livro da vida, uma pagina sempre se destaca. Uma com a ponta dobrada e o teu nome no marcador de paginas em formato de coruja. Este que brilha e brilha me chamando e principalmente nos chamando. 

A cada dia, a cada pagina virada, uma nova história é escrita. E mesmo com o passar do tempo, o marcador de paginas em forma de coruja, não parece ficar mais distante. Por mais paginas e paginas, que eu vire, a coruja aparenta sempre estar a três momentos de distância do meu presente escrito. Muitas vezes a coruja parece voar para a pagina anterior, como se em todo ontem eu tivesse lido esse trecho da minha história. 

Engraçado ver que nessas paginas marcadas com a coruja, não há imagens concretas como em todas as outras. Há somente palavras que descrevem movimentos suaves de uma valsa num tom pastel, que lembram o outono quente e frio, que contrasta com o vazio de alguns versos seguintes, devidamente separados para uma história que nunca foi escrita. 


Ainda não recebi teu e-mail, tua carta ou tua ligação.


Trilha Sonora: Michael Bublé - Hold On

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Com Elas


Sábado, quinze pras seis da manha.
           
Acordo brigando comigo mesmo pra levantar da cama. Tenho um longo dia, cheio de afazeres e momentos que com certeza serão inesquecíveis.

Saio de casa as seis e vinte e cinco, indo contente ao meu melhor objetivo, buscar minhas pentelhas.
Vou andando, pois não é muito distante, e pelos menos assim tenho mais certeza da minha chegada.
Saio de casa cantarolando com uma pequena bolsa de criança branca com detalhes rosados que elas adoram.

No caminho percebo algumas pessoas me olhando de forma estranha na rua, mas ignoro, imaginando que o motivo é a bolsa de criança e o sorriso bobo estampado na minha cara.

Chego a casa delas e percebo que a Meme (Emily, um ano e dez meses), já está acordada, e assim que ela houve minha voz na cozinha ela grita ”Paaaiiii”.

Linda sinfonia.

 Já dentro da casa, enquanto ela conversa comigo, no linguajar dela é claro, vou arrumando a roupa delas na bolsa branca. Pego umas calças e umas blusinhas de manga longa por causa do frio, tentando prever a temperatura daquele final de semana.

A Pentelha (Ana Julia ou Julinha, de quatro anos) desperta com o falatório da Meme.

Arrumo as duas e após dar alguns beliscos pra elas comerem, vamos em direção a minha casa.

No caminha paro em duas padarias procurando o sonha que a Pentelha tanto gosta, mas não encontro, em compensação ela encontra aqueles docinhos que elas chamam de “dente de vampiro”, muito gostoso aliás, e eu acabo comprando.

Depois de um café da manha agitado como sempre é com elas, cheio de cereais e leite voando pela cozinha, começo a fazer algumas tarefas de casa.

Enquanto fico pra lá e pra cá, percebo-as curiosamente quietas na sala, vendo “Dora a aventureira”, o que não é normal, mesmo quando estão vendo desenho.

E então de repente, quando estou quase terminando minhas tarefas, percebo a Julinha pegando o rodo e um pano de chão molhado.
Ela faz alguns malabarismos pra prender o pano ao rodo. E após várias tentativas ela consegue finalmente.

Naquele instante eu não quis fazer mais nada, a não ser observa-la pra ver até onde ira aquela traquinagem.
Pra minha surpresa, ao invés dela tentar tacar o rodo na Irma dela como de costume, ela simplesmente vira pra mim, com um sorriso no rosto, dizendo - Pai, aqui ta sujo ainda, deixa que eu limpo.

Naquele instante eu não sabia se ria, ou se chorava. Aquela atitude dela me paralisou por alguns segundos, e eu só consegui fazer o mesmo que ela. Pegar outro pano de chão pra limpar com ela, o que quer que estivesse sujo ali.

Assim que ela terminou de "limpar a sala", passados alguns minutos, ela soltou uma frase, no mínimo memorável.

 - Ufa, terminei pai, ta limpo agora!

Não consegui me segurar, e dando muita risada, abracei forte ela, até ela reclamar me pedindo pra soltar. A Meme, ciumenta como sempre, vendo aquilo, desceu do sofá e se jogou em cima da gente. Ainda com um sorriso no rosto, sentei com elas pra assistir um pouco de desenho.

No almoço, fiz algumas coisas que a Pentelha tinha me pedido, e também a salada de tomate que ela tanto adora.

Depois do almoço dei a elas o tão aguardado “dente de vampiro”, e com isso, as mais diversas caretas com os dentinhos tomaram conta da cozinha.

Foi muito gostoso.

No restante naquele mesmo dia, nós brincamos, rimos, pintamos, lemos alguns livros, e até brigamos.

Ao final dia, já cansados, juntamos as camas, e ficamos deitados juntinhos e bem quentinhos. Elas estavam morrendo de sono naquela hora, e não demoraram a dormir.

Na cama, com elas deitadas em mim, fiquei pensando no dia, e em como ele passou rápido.

Bocejando muito, convenço-me então de que preciso dormir, pois sei que na manha seguinte, serei acordado pelas minhas princesas, sendo esta a melhor maneira de acordar. Acordar com os dois e melhores motivos de vida que uma pessoa pode ter. 

Acordado pelos seus amores.

Não há palavras que transcrevam a tamanha alegria que é ter elas comigo.

Toda vez que eu me lembro do sorriso delas, seja onde for e quando for, é impossível não brotar um sorriso do tamanho do mundo no meu rosto.



E foi assim, num piscar de olhos, que meu dia terminou.

Trilha sonora: Keane - Sunshine

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Sentada ao meu lado


Fonte:http://marytianega.blogspot.com.br/2012/04/te-quero-ao-meu-lado.html

Assim que entrei na sala de aula da Faculdade, percebi algo muito estranho logo de cara, o curso era de Tecnologia e mesmo que fosse cedo, já haviam pelo menos quatro mulheres na sala, uma surpresa de fato. Uma delas obviamente me chamou atenção logo de cara. Ela com um jeito particular de se vestir, mas com muita elegância me distraiu por toda aquela aula. Seus longos cabelos castanhos bem escuros, olhos também castanhos, seu jeito aparentemente tímido me cativou principalmente por acompanhar uma calmaria e confiança nata.

Inicialmente não me aproximei dela obviamente, contudo observei de longe a maneira como ela se portava na sala, e então pude ver uma pequena tatuagem no pulso esquerdo dela escrito “Abençoada”.
Das poucas vezes que tentei puxar assunto com ela, acabei me enrolando pra falar algumas coisas, mesmo porque tudo era novo, a sala, a faculdade, os amigos e principalmente ela.

O tempo passou e sempre que chegava na sala meus olhos a procuravam involuntariamente. 
Tendo eu o hábito de ficar fantasiando as coisas e as pessoas, não poderia perder a oportunidade mas confesso que nunca pensei estar a altura dela de alguma maneira, e por isso minhas fantasias se limitavam em momentos na sala com ela.
Ela inteligente, simpática, objetiva e aparentemente determinada nas coisas que fazia, com uma voz firme e forte, mas sem perder a feminilidade própria, prendia meu olhar nas poucas vezes que a vi apresentar algum trabalho ou quanto falava próximo a mim.

Hoje durante a aula sentado ao seu lado, pude perceber mais uma vez a delicadeza em seus movimentos. Em alguns momentos me perdi olhando ela fazer as anotações dela sobre a matéria. A maneira como ela segurava firmemente a caneta, a delicadeza em fazer cada desenho, o olhar fixo dela para o caderno enquanto o cabelo solto dela levemente caído na face esquerda dela,  me trouxe um repentino palpitar.
Em um determinado momento em que a observava, vi a borracha dela cair, me esforcei em buscar o mais breve possível aquele objeto, pra que ela não tivesse esse trabalho. Quando lhe entreguei a borracha ela respondeu com um “obrigada” tão simpático que me senti um Don Juan fazendo uma serenata e recebendo um sorriso em reposta.

Fantasias e fantasias, mas quem sabe...

Trilha sonora: 

Josie Charlwood - "Dreams"