quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Em um dia fatídico de trabalho



Fonte: http://www.miranda.com.br/_resources/files/_modules/files/files_1178_20130111104013b4a7.jpg



“Em um dia fatídico de trabalho, onde tudo parecia estar no lugar, aquele momento pareceu eterno...”.

Em mais um dia fixado na tela do computador, trabalhando freneticamente em mais um projeto que parecia não vingar apesar do meu esforço, e principalmente pelo nível de complexidade das tarefas.

Desviei o olhar rapidamente para olhar em volta, e a vi. Ela escrevia devagar no teclado dela na mesa em frente a minha. Ela não trabalhava ali, e apesar disso ela demonstrou estar ligeiramente acostumada ao lugar. Com um lindo cabelo liso escuro, um óculos retangular com a armação vinho, um rosto pequeno, olhos castanhos, seus lábios eram rosados, suas mãos pequenas com dedos finos delicados.

Fiquei alguns segundos parado no ar olhando pra ela, até perceber que ela me olhava de volta, quando percebi, imediatamente desviei o olhar para o meu teclado tentando disfarçar já meio sem graça. Demorei mais alguns segundos pra olhar novamente pra ela, e assim perceber um leve sorriso no lado esquerdo de tua boca, provavelmente ela percebeu como fiquei sem graça desviando o olhar dela.

Nos minutos seguintes fiquei preso no espaço e tempo olhando pra ela e pra minha tela, tentando adivinhar o que ela fazia ali. De modo estranho meus colegas de trabalho não estranharam a presença dela ali, o que me deixou ainda mais intrigado.

Levantei pra pegar um café na copa passando pela mesa dela, e foi quando reparei em um arquivo em sua mesa. Olhando rapidamente pude ver a frase “Implementação de processos...” em uma das linhas.  Voltei pra minha mesa e antes de me sentar, tomei coragem e puxei assunto com ela, perguntando se ela era da empresa que estava implementando os processos de melhoria na empresa. Ainda sentada ela virou o rosto sorridente confirmando que sim. Para continuar a conversa, perguntei se era o primeiro dia dela na empresa. Ela expressou uma leve risada tímida, e sem entender nada daquela situação passei a olhar em volta já um pouco mais tímido que antes. Em resposta a minha pergunta, alguns segundos depois ele respondeu;

– Estou aqui há alguns dias, e tenho trabalhado na sua frente desde então. Essa é a primeira vez que você fala comigo. Seu gerente me pediu que sentasse aqui, pois me indicaram que você poderia sanar minhas dúvidas quanto aos processos atuais da empresa.

Já extremamente sem graça por entender o motivo da piada anterior, comecei a me desculpar com ela pela falta de atenção. Ela riu novamente confirmando que não havia problema. Por algum motivo estranho já haviam falado pra ela que eu era um pouco distraído, pra não dizer avoado.

Continuando a conversa, chamei-a na minha mesa pra mostrar algumas documentações usadas no dia a dia. Expliquei de modo geral o funcionamento do fluxo de trabalho, e apesar do meu jeito meio desengonçado de explicar, a percebi bem atenta as minhas explicações. Aparentemente, minhas explanações não eram tão chatas quanto imaginava, pois ela só tirava olhos de mim quando precisava marcar alguma referencia de arquivo no bloco de notas que ela tinha nas mãos.

Quando terminei de explicar os processos iniciais, ela se sentou no lado esquerdo da minha mesa, e foi quando me peguei olhando para o corpo dela. Ela vestia uma blusa social escura de manga longa e uma saia bordô um pouco acima dos joelhos.

Meu rosto ficou imediatamente corado quando ao final da minha fitada vi que ela estava olhando diretamente pra mim. Procurando imediatamente por um assunto que ajudasse a mudar o rumo da conversa, olhei para o relógio e percebi que já estava passando do meu horário de almoço convencional. Juntei as mãos pra disfarçar o suor nelas e perguntei se ela já havia almoçado. Ela balançou a cabeça em negação e fomos juntos ao refeitório da empresa.

O almoço foi rápido e muito interessante.  Sentindo-me um pouco mais a vontade, conversei com ela sobre o trabalho e a vida dela. Ela terminara a faculdade de Administração no ano anterior, e estava fazendo a pós-graduação. Não posso deixar de admitir que fiquei um pouco intimidado por ainda estar terminando minha primeira faculdade, e nossa diferença de idade ser pequena, mas prosseguimos com a conversa mesmo assim. Durante a sobremesa, rimos um pouco das histórias que contei nas poucas visitas que tive nos clientes da empresa e saímos sorrindo do lugar, indo cada uma pra sua mesa.

            Nos dias seguintes, seguimos mais ou menos a mesma rotina, conversávamos um pouco de manhã e almoçávamos juntos. Logo em seguida, me afundava nos projetos e só nos falávamos na saída dela que era um pouco antes da minha. Ela sempre me surpreendia quando vinha me cumprimentar com um beijo no rosto pra se despedir.

Em um dos almoços, ela me falou que a estratégia dos processos já estava quase pronta, e que em mais alguns dias ela não precisaria mais ter de ir à empresa. Esta última informação me deixou chateado a princípio, pois já estava me habituando a companhia dela.

No último dia dela na empresa, nós almoçamos e ficamos um pouco mais calados que o normal. Fiquei o dia pensando nela e em como sentiria a falta dela, mas sem entender o real significado do sentimento. Ela também estava diferente naquele dia, subitamente me olhando e desviando o olhar sempre que nossos olhares se encontravam.

No final do dia esperei ansioso pela despedida dela, o que acabou não ocorrendo no horário normal. Ela saia geralmente as 17hs e eu as 18h30min. Próximo das seis e meia, já estava começando a arrumar minhas coisas, quando a vi se levantar e vir na direção da minha mesa. O escritório já estava quase vazio por conta do horário, e ela vinha de cabeça baixa mordiscando o lado inferior direito do lábio até chegar a minha mesa. Levantei depressa para cumprimentá-la pensando rápido em algo para dizer, mas nada me veio a mente.

Já na minha frente, ela levantou o rosto fixando seus olhos nos meus, fiquei mudo no momento, e ela de repente se aproximou lentamente, imaginei que ela queria me abraçar e então me lancei tão lentamente quanto ela em teus braços. Ela parou alguns centímetros segurando meu rosto com uma de suas mãos, parei por um instante e então ambos fechamos sutilmente os olhos de forma sincronizada, deste momento em diante nossos lábios se tocaram graciosa e majestosamente, como no encontro do sol com horizonte, nos beijamos por um tempo incalculável e infindável.

Quando nosso beijo cessou, olhei fixamente para os olhos dela e ainda bem próximo dela falei baixinho – Vamos?

Com um pequeno sorriso no rosto ela me puxou pelo braço em direção à saída. Fomos andando até a minha casa que era bem próxima do trabalho, e ali ficamos o resto do dia.

Já em casa nos beijamos e nos acariciamos.  Foi até engraçado, pois mesmo sem proferir uma palavra se quer, nosso entendimento era mútuo. Coloquei uma coletânea de músicas antigas para tocar e depois de muito esforço conseguimos parar com os beijos e abraços para jantarmos o que tivesse em casa.

Deitamos juntos um de frente pro outro e ficamos horas trocando carinhos e falando sobre nossas famílias. Falei um pouco mais das minhas duas filhas peraltas, e ela falou dos sobrinhos dela que tanto estimava. Sorrisos e gargalhadas acompanharam a noite a fora até cairmos no manto da noite, dormindo numa paz e extasiante calmaria. Ela adormeceu primeiro segurando forte minha mão na altura do seu rosto. Acariciei seu cabelo por alguns instantes até perceber um sorriso confortável em seu rosto. Parei por um instante e ela puxou ainda mais minha mão ficando apoiada nela como uma criança apoiada em seu bichinho de pelúcia. Uma alegria me dominou e sem parar de sorrir, me permiti cair no sono da noite.

            No dia seguinte, logo cedo acordei e ela já não estava mais lá, um pouco triste corri pra atender meu telefone que tocava imaginando que fosse ela, mas me frustrei vendo que era a mãe das minhas filhas avisando que já estava chegando pra levar as meninas pra ficarem comigo. Confirmei que tudo bem e então me apressei pra ajeitar a casa o máximo possível antes de elas chegarem.

Foi então que a campainha tocou e para minha surpresa, era ela! A mulher que passou a noite comigo e por todo aquele momento me fez o homem mais feliz do mundo. Ela segurava uma sacola do mercado do bairro e estava com um sorriso encantador no rosto. Se desculpou por sair sem avisar, mas não quis me acordar, dizia ela que eu “dormia tão bonitinho encolhido...”.

Ela confessou que quase não voltou, pois não sabia o que eu achava da noite anterior. Olhei pra ela e falei pausadamente:

– Foi a melhor noite da minha vida!

Ela ficou levemente sem graça e me abraçou dizendo baixinho – Para mim também!

Alguns minutos depois, ainda arrumando a mesa para o café, a campainha tocou novamente e dessa vez eram as minhas pentelhinhas, que logo que abri a porta pularam no meu colo e me abraçaram quase me jogando pra trás. A mãe delas vinha logo atrás me entregando as coisas delas.

A mais novinha, sem pudor e nem vergonha logo questionou bem alto:

- Quem é ela pai?

Respondi rápido que era uma amiga, e em seguida ela foi até a mesa cumprimentá-la. Imediatamente a mãe delas colocou a cabeça para dentro tentando ver quem era. Ela não falou nada, mas ficou claro o descontentamento dela. As meninas se despediram e ela saiu depressa, sem dizer nada.

Sentamos-nos a mesa para o café, e de maneira curiosa as meninas não estranharam a presença de outra mulher ali, a trataram como de fosse uma amiga antiga e ainda devoraram os doces da mesa. Fiquei contente em ver a interação entre elas, pois aquilo seria de estrema importância para o que quer que fosse acontecer entre nós dali pra frente.

Depois do café as meninas foram brincar no quarto e me sentei na sala com ela para conversarmos. Pedi desculpas pela reação da mãe das meninas, e em resposta ela balançou a cabeça confirmando que estava tudo bem.

Foi então que falei:

- Nossos momentos juntos foram incríveis, desde nossas conversas, a noite maravilhosa que tivemos... Mas infelizmente não vou conseguir me dedicar inteiramente a nós dois, por mais que eu deseje. Minha vida se divide muito as minhas filhas e em muitas vezes eu preciso ficar e lidar com a mãe delas, mesmo isso me desagradando. E além do mais, tenho a minha mãe aquém eu sempre me esforço pra ajudar na medida do possível. Não posso e não vou pedir pra você assumir essas responsabilidades por mim, pois isso já não é fácil pra mim. Olhando pra ti posso ver sentimentos que eu mais que almejo, mas já passei por isso e não foi uma experiência muito interessante.

Terminei minhas argumentações e esperei pela reação dela,  de certa forma já conformado com o pior. Afinal de contas, como pode uma mulher solteira e bem resolvida, querer se envolver em um caso cheio de percalços e solavancos onde tantas pessoas estão envolvidas. Na situação dela, acho que também não me agradaria esse tipo de responsabilidade sem ter se sequer uma garantia que tudo daria certo.

Ela me olhou calma e serena e disse:

- Nossa noite foi ótima, mas como você mesmo disse, não é justo que eu assuma essas responsabilidades que você mencionou. Contudo, há um pequeno porém, acho que te amo, e quero muito ficar com você, e com tudo o que estiver ligado a ti. Suas filhas são parte de você, e por isso também as amarei. Sua mãe, sua família, seus amigos, todos eles fazem parte de quem você é, e simplesmente por isso, também os amarei. Por favor, não tente me afastar de ti por pensar que não é justo. Se você não sente o mesmo por mim, este sim deve ser motivo...

Sem deixá-la terminar de falar, a abracei forte e ali no pé do ouvido dela sussurrei - Também te amo.

Antes de me afastar, dei-lhe um beijo tímido, e com um sorriso enorme no rosto fui dar bronca nas meninas por estarem brigando pela boneca que falava algumas besteiras de bebe.


Ela também sorridente voltou a tomar seu café, e a me observar brincando com elas pra evitar outra briga.


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Próxima página



Lendo meus e-mails me deparei com aquela resposta sutil que você me envio, em uma das várias noites longínquas de ti, que pairam nos meus dias.

Na carta, suas palavras expressavam sentimentos comuns aos meus, contudo de uma forma muito mais belas que só você conseguia.
Toda a extensão do texto que se seguia, narrava uma queda livre de palavras que acariciavam diretamente o meu coração.

Entre tanto, após o teu último suspiro que foi aquela resposta, seus toques se extinguiram dos meus dias, tão sutilmente quanto o mergulho do sol no horizonte dos nossos momentos, findados ao que já se foi. 

Diversas palavras trocadas, alguns carinhos, e muitos sentimentos lúdicos e até insanos, jogados a brisa do outono. Tanto a ser dito, muito a sentir, e tudo que jaz sentido...

Mudanças aconteceram, coisas que vão e vem com a certeza da manhã seguinte, que acabaram por alterar planos futuros. Diversos momentos jamais vividos.

Nossas histórias colocadas de lado para dar espaço a novas, e ainda assim, sempre que olho no meu livro da vida, uma pagina sempre se destaca. Uma com a ponta dobrada e o teu nome no marcador de paginas em formato de coruja. Este que brilha e brilha me chamando e principalmente nos chamando. 

A cada dia, a cada pagina virada, uma nova história é escrita. E mesmo com o passar do tempo, o marcador de paginas em forma de coruja, não parece ficar mais distante. Por mais paginas e paginas, que eu vire, a coruja aparenta sempre estar a três momentos de distância do meu presente escrito. Muitas vezes a coruja parece voar para a pagina anterior, como se em todo ontem eu tivesse lido esse trecho da minha história. 

Engraçado ver que nessas paginas marcadas com a coruja, não há imagens concretas como em todas as outras. Há somente palavras que descrevem movimentos suaves de uma valsa num tom pastel, que lembram o outono quente e frio, que contrasta com o vazio de alguns versos seguintes, devidamente separados para uma história que nunca foi escrita. 


Ainda não recebi teu e-mail, tua carta ou tua ligação.


Trilha Sonora: Michael Bublé - Hold On

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Com Elas


Sábado, quinze pras seis da manha.
           
Acordo brigando comigo mesmo pra levantar da cama. Tenho um longo dia, cheio de afazeres e momentos que com certeza serão inesquecíveis.

Saio de casa as seis e vinte e cinco, indo contente ao meu melhor objetivo, buscar minhas pentelhas.
Vou andando, pois não é muito distante, e pelos menos assim tenho mais certeza da minha chegada.
Saio de casa cantarolando com uma pequena bolsa de criança branca com detalhes rosados que elas adoram.

No caminho percebo algumas pessoas me olhando de forma estranha na rua, mas ignoro, imaginando que o motivo é a bolsa de criança e o sorriso bobo estampado na minha cara.

Chego a casa delas e percebo que a Meme (Emily, um ano e dez meses), já está acordada, e assim que ela houve minha voz na cozinha ela grita ”Paaaiiii”.

Linda sinfonia.

 Já dentro da casa, enquanto ela conversa comigo, no linguajar dela é claro, vou arrumando a roupa delas na bolsa branca. Pego umas calças e umas blusinhas de manga longa por causa do frio, tentando prever a temperatura daquele final de semana.

A Pentelha (Ana Julia ou Julinha, de quatro anos) desperta com o falatório da Meme.

Arrumo as duas e após dar alguns beliscos pra elas comerem, vamos em direção a minha casa.

No caminha paro em duas padarias procurando o sonha que a Pentelha tanto gosta, mas não encontro, em compensação ela encontra aqueles docinhos que elas chamam de “dente de vampiro”, muito gostoso aliás, e eu acabo comprando.

Depois de um café da manha agitado como sempre é com elas, cheio de cereais e leite voando pela cozinha, começo a fazer algumas tarefas de casa.

Enquanto fico pra lá e pra cá, percebo-as curiosamente quietas na sala, vendo “Dora a aventureira”, o que não é normal, mesmo quando estão vendo desenho.

E então de repente, quando estou quase terminando minhas tarefas, percebo a Julinha pegando o rodo e um pano de chão molhado.
Ela faz alguns malabarismos pra prender o pano ao rodo. E após várias tentativas ela consegue finalmente.

Naquele instante eu não quis fazer mais nada, a não ser observa-la pra ver até onde ira aquela traquinagem.
Pra minha surpresa, ao invés dela tentar tacar o rodo na Irma dela como de costume, ela simplesmente vira pra mim, com um sorriso no rosto, dizendo - Pai, aqui ta sujo ainda, deixa que eu limpo.

Naquele instante eu não sabia se ria, ou se chorava. Aquela atitude dela me paralisou por alguns segundos, e eu só consegui fazer o mesmo que ela. Pegar outro pano de chão pra limpar com ela, o que quer que estivesse sujo ali.

Assim que ela terminou de "limpar a sala", passados alguns minutos, ela soltou uma frase, no mínimo memorável.

 - Ufa, terminei pai, ta limpo agora!

Não consegui me segurar, e dando muita risada, abracei forte ela, até ela reclamar me pedindo pra soltar. A Meme, ciumenta como sempre, vendo aquilo, desceu do sofá e se jogou em cima da gente. Ainda com um sorriso no rosto, sentei com elas pra assistir um pouco de desenho.

No almoço, fiz algumas coisas que a Pentelha tinha me pedido, e também a salada de tomate que ela tanto adora.

Depois do almoço dei a elas o tão aguardado “dente de vampiro”, e com isso, as mais diversas caretas com os dentinhos tomaram conta da cozinha.

Foi muito gostoso.

No restante naquele mesmo dia, nós brincamos, rimos, pintamos, lemos alguns livros, e até brigamos.

Ao final dia, já cansados, juntamos as camas, e ficamos deitados juntinhos e bem quentinhos. Elas estavam morrendo de sono naquela hora, e não demoraram a dormir.

Na cama, com elas deitadas em mim, fiquei pensando no dia, e em como ele passou rápido.

Bocejando muito, convenço-me então de que preciso dormir, pois sei que na manha seguinte, serei acordado pelas minhas princesas, sendo esta a melhor maneira de acordar. Acordar com os dois e melhores motivos de vida que uma pessoa pode ter. 

Acordado pelos seus amores.

Não há palavras que transcrevam a tamanha alegria que é ter elas comigo.

Toda vez que eu me lembro do sorriso delas, seja onde for e quando for, é impossível não brotar um sorriso do tamanho do mundo no meu rosto.



E foi assim, num piscar de olhos, que meu dia terminou.

Trilha sonora: Keane - Sunshine

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Sentada ao meu lado


Fonte:http://marytianega.blogspot.com.br/2012/04/te-quero-ao-meu-lado.html

Assim que entrei na sala de aula da Faculdade, percebi algo muito estranho logo de cara, o curso era de Tecnologia e mesmo que fosse cedo, já haviam pelo menos quatro mulheres na sala, uma surpresa de fato. Uma delas obviamente me chamou atenção logo de cara. Ela com um jeito particular de se vestir, mas com muita elegância me distraiu por toda aquela aula. Seus longos cabelos castanhos bem escuros, olhos também castanhos, seu jeito aparentemente tímido me cativou principalmente por acompanhar uma calmaria e confiança nata.

Inicialmente não me aproximei dela obviamente, contudo observei de longe a maneira como ela se portava na sala, e então pude ver uma pequena tatuagem no pulso esquerdo dela escrito “Abençoada”.
Das poucas vezes que tentei puxar assunto com ela, acabei me enrolando pra falar algumas coisas, mesmo porque tudo era novo, a sala, a faculdade, os amigos e principalmente ela.

O tempo passou e sempre que chegava na sala meus olhos a procuravam involuntariamente. 
Tendo eu o hábito de ficar fantasiando as coisas e as pessoas, não poderia perder a oportunidade mas confesso que nunca pensei estar a altura dela de alguma maneira, e por isso minhas fantasias se limitavam em momentos na sala com ela.
Ela inteligente, simpática, objetiva e aparentemente determinada nas coisas que fazia, com uma voz firme e forte, mas sem perder a feminilidade própria, prendia meu olhar nas poucas vezes que a vi apresentar algum trabalho ou quanto falava próximo a mim.

Hoje durante a aula sentado ao seu lado, pude perceber mais uma vez a delicadeza em seus movimentos. Em alguns momentos me perdi olhando ela fazer as anotações dela sobre a matéria. A maneira como ela segurava firmemente a caneta, a delicadeza em fazer cada desenho, o olhar fixo dela para o caderno enquanto o cabelo solto dela levemente caído na face esquerda dela,  me trouxe um repentino palpitar.
Em um determinado momento em que a observava, vi a borracha dela cair, me esforcei em buscar o mais breve possível aquele objeto, pra que ela não tivesse esse trabalho. Quando lhe entreguei a borracha ela respondeu com um “obrigada” tão simpático que me senti um Don Juan fazendo uma serenata e recebendo um sorriso em reposta.

Fantasias e fantasias, mas quem sabe...

Trilha sonora: 

Josie Charlwood - "Dreams"



sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Hoje cedo


Fonte da imagem: http://www.vintagefashion.com.br/2011/06/dia-de-chuva-inspiracao.html

Acordei cedo hoje, e não encontrei o teu perfume na nossa cama. De repente um sentimento de solidão tomou conta de mim, me fazendo parecer uma criança abandonada, por alguém que talvez não exista.
Meu dia  foi cheio de coisas boas e ruins, reviravoltas e até algumas decepções, mas a pior parte foi não ter alguém pra compartilhá-las. 

Na mesma noite tive um sonho:
Em um domingo nublado, fui direto pra cozinha depois de acordar com muita preguiça, fiz um pouco de chá de hortelã e olhando pela janela vendo aquele céu cinza e agradavelmente gelado. Senti de repente você me abraçando por traz, me trazendo um calor maravilhoso vindo do teu corpo, você apoiou tua cabeça nas minhas costas, e em seguida apertei forte as tuas mãos, não querendo e não deixando você sair dali. Me virei e olhei fundo nos teus olhos completamente apaixonados e proclamei “Te Amo meu amor, bom dia,” lancei-lhe um beijo demasiadamente extasiante e insaciável que fez o tempo parar. Após tomar nosso café da manhã, fizemos planos vagos pro domingo chuvoso, planos que acabaram não se concretizando.
No final deste mesmo dia, você olhou pra mim com um sorriso reluzente e maravilhoso, em um puxão repentino você me arrastou pra fora no meio da chuva, sem entender muito bem o motivo deixei meu corpo ser levado pela tua presença. De forma espontânea peguei rápido o guarda-chuva antes de sairmos. Nós paramos abraçados na calçada, e me fitando novamente com teus olhos castanhos você proferiu as palavras mais lindas daquele dia, “Te Amo, e agradeço a Deus por ter colocado você na minha vida!” e em seguida você jogou nosso guarda-chuva no chão e começamos a nos beijar deixando a chuva molhar nossos corpos. Dançamos por alguns minutos pulando e brincando nas poças da rua, sorrisos emanavam de nossas faces, e a alegria era embriagante naqueles poucos instantes.
Entramos correndo pra casa, sem ligar pra mais nada. Tomamos um banho quente juntos, onde nossas mãos não se soltavam. Carícias se misturavam com a espuma, e lábios se encontravam sem parar. Na saída do banheiro eu me enxuguei lentamente em quanto olhava você se trocar fazendo um “charme” me chamando pra cama. Deitamos juntos e nos abraçamos como se o mundo fosse acabar, olhei fixamente para teu lindo rosto, beijei tua testa e te dei boa noite. Fiquei observando você fechar os teus lindos olhos até que já dormindo, você me agarrou forte me trazendo pra mais perto de ti. O sono veio após alguns minutos e então percebi que meu paraíso estava acabando. Lutei contra o sono tentando aproveitar aquele momento por mais alguns minutos, mas no final perdi, fechando lentamente os olhos fixos em você até então.

Acordei essa manha e tive certeza que tudo aquilo que tivera na noite passada, nada mais era do que uma pequena amostra de um futuro que eu espero estar próximo.

Boa noite meu Amor, onde quer que você esteja.

Musica: Fresno - Sutjeska / Farol

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Apenas mais um dia




A cada dia que passa a frustração em meu peito cresce cada vez mais. 
Estou decepcionado com a minha vida. Mesmo me esforçando tanto a cada dia pra fazer o melhor que eu posso em tudo, em tudo mesmo. 
Tenho feito tudo o que eu posso pela minha família, pelos meus amigos, e até mesmo no meu trabalho, onde particularmente tem sido uma "merda" estar. Em tudo que eu tenho feito, a cada olhar, a cada manhã onde eu acordo cedo, e procuro sempre olhar para o céu vendo as nuvens. 

O que principalmente não entra na minha cabeça é, mesmo tendo ajudado a fazer tantas pessoas felizes, porque eu não consigo ser feliz comigo mesmo. Por que essa benção não veio sobre mim. Pode ser que amanha eu esteja melhor mas, hoje eu só queria voltar a ter a minha família de volta. Minha esposa me fazendo pensar o por que eu não sou mais o homem que eu era quando nós começamos a namorar, minhas filhas tomando todo o meu tempo, mais ainda sim tornando aquele o melhor momento da minha vida. Eu quero isso de volta agora, nesse momento ! 

Se eu pudesse conseguir isso de volta sem as memorias ruins, nossa... 

Por que ela não pode ver o que estava acontecendo a tempo ? 
Por que eu não pude evitar isso a tempo ? 

Depois de tanto tempo eu ainda não consigo ver a luz no final desse túnel. Não consigo entender a moral da historia, não consigo ver o porque tudo isso valeu a pena. 

Estou cansado de esperar, estou tentando fazer o melhor que eu posso, estou dando o melhor de mim. Estou me machucando tanto pra conseguir vitórias tão pequenas. 

Espero estar melhor amanha por que hoje, eu só quero dormir e esquecer tudo o que está acontecendo! Tenho certeza que se não fosse pelas minhas "Pentelhas" eu não estaria mais aqui, eu teria jogado tudo pro alto e feito sei lá o que. 

Não vou desistir de nada, se eu cheguei até aqui foi por algum motivo, alguma razão importante deve ter, ou pelo menos é nisso que tenho acreditado. 

Estou cansado, preciso saber que no final vai ficar tudo bem, e que o final dessa luta está chegando, preciso de uma palavra de incentivo, de uma razão, de um novo amor, preciso de novas memórias.

Trilha Sonora:
Adele - Turning Tables

domingo, 29 de julho de 2012

Sorriso




Numa tarde refrescante e cheia de eventos comemorativos, estava um homem caminhando pela rua sem destino aparente, tentando esquecer das frustações de seu próprio coração.  

Na sua caminhada ele encontrou uma praça agradável para pairar seus pensamentos conflitantes ao som de uma boa musica de seu celular, lá estava ele filosofando consigo mesmo sobre as questões mais tristes e erronias que ocorriam em sua vida, ao mesmo tempo ele observava as famílias passeando e brincado com as crianças que ali estavam. Também ali, passeavam alguns casais felizes grudados com seus amores infinitos e gentis. 

Em meio a todas esses eventos felizes e agradáveis, ele percebeu uma jovem mulher passando devagar pela praça, caminhando de maneira engraçada meio que sem destino aparente. Ela parou alguns milésimos de segundos para decidir onde parar e então se sentou em um banco logo ao lado do rapaz. O homem inicialmente não reparou muito na moça até perceber alguns minutos depois que ela estava chorando. Ele ficou assustado e preocupado com a garota, principalmente por não saber o motivo daquela garota estar chorando timidamente no banco da praça.  

Alguns minutos se passaram e a garota parou de chorar e começou a olhar ao redor, como que procurando ou esperando alguém chegar. Após perceber que ninguém apareceu, ela voltou a chorar abaixando a cabeça para que ninguém notasse suas lagrimas. Frequentemente ela limpava o rosto e olhava em volta para ter certeza de que ninguém a fitava por causa de seu choro baixo e tímido. 
Na terceira que vez que ela enxugou suas lagrimas o homem que já não conseguia mais pensar em seus próprios problemas, começou a querer de alguma maneira ajudar a garota, mesmo sem saber como, ele olhava em volta esperando que algum amigo ou conhecido dela chegasse e a consolasse, mas ninguém apareceu. 
Repentinamente ele passou a olhar cada vez mais pra mulher, reparando em suas sapatilhas lilás com bolinhas roxas, sua blusinha escura com renda florida nas mangas, seus cabelos que iam até um pouco acima da cintura,  que estavam jogados para trás devido as várias vezes que eles caíram em seu rosto quando ela se debruçava para chorar. Suas mãos juntas a todo momento demonstravam que ela queria estar segura e de alguma maneira protegida daquilo que a entristecia.  

Em algum momento ela percebeu que o rapaz havia notado suas lagrimas ao chão e parou de olhar para os lados. Foi então que ele respirou fundo e resolveu ir falar com ela. Ele aparentava estar nervoso com a situação, mesmo por que não era uma situação comum. Ele se levantou e caminhou em sua direção, quando ele chegou perto dela, ela o encarou e ele simplesmente congelou. Ao perceber que não iria conseguir falar com ela, ele continuou sua caminhada passando direto por ela, até o final da praça.  

A moça percebendo a intenção do rapaz se levantou saindo na direção oposta, segurando o braço direito buscando abraçar a si mesma.

Inconformado com sua covardia e timidez, o rapaz olhou em volta e viu um pequeno conjunto de lírios rosas no canto. Ele pegou uma das flores e correu atrás da moça sem pensar muito sobre o que dizer. Chegando perto, ele apenas disse;

- Com licença moça, eu estava ali na praça e percebi que você estava chorando, está tudo bem ? 

Ela virou surpresa para o rapaz e simplesmente respondeu que estava bem. O homem que naquele momento mais parecia uma criança tímida, lhe estendeu o lírio rosa, ela pegou a flor  e lhe deu um largo sorriso, deixando-o extremamente satisfeito por ter tirado a expressão de tristeza que franzia a linda face da mulher. 

Naquele instante o tempo parou e a moça agradeceu o rapaz se virando bem devagar. Ele percebeu que ela saiu sorrindo, pois pequenas covas se formaram em teu semblante até onde se podia ver. 

Satisfeito consigo mesmo o rapaz se virou no sentido oposto para seguir seu caminho. Ele pensou em puxar mais assunto com a mulher, mas achou melhor não frustrar sua tentativa de alegra-la, ele não desejava que ela pensasse que havia feito aquilo por algum outro motivo ou interesse. 

Alguns dias depois, o rapaz  voltou a praça e ficou alguns minutos esperando talvez encontra-la. Mas ela não apareceu, de toda forma a única coisa que ele queria é que ela estivesse bem, ou pelo menos melhor. Ele odiaria ver a moça com aquela expressão tristonha novamente.


Trilha sonora:
Smile - Michael Jackson